30 de nov de 2016

Teste do Nissan March 1.6 SL CVT

Teste do Nissan March 1.6 SL CVT

O nicho de carros compactos equipados com câmbio automático cresceu exponencialmente nos últimos anos. Atrás de ter um representante nesse segmento, a Nissan lançou, em junho deste ano, o March equipado com câmbio CVT. O modelo, apesar de sempre bem avaliado entre seus concorrentes, nunca foi unanimidade. Prova disso são seus números de venda. Em 2016 o modelo emplacou 15.431 unidades no acumulado, uma média de 1543 carros por mês. O March é um dos raros casos em que a variante hatch vende menos que a sedã. O Nissan Versa, por exemplo, emplacou 17.513, média mensal 1.751 exemplares. Quando comparado com seus concorrentes, a discrepância é ainda maior. Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Toyota Etios emplacaram, respectivamente, 119.244/97.248/31.183 unidades. Levando em consideração seu potencial, pode-se até dizer que o modelo é um injustiçado.

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A versão SL CVT ocupa o topo da gama do compacto. Representa 21% no mix de venda em média calculada entre agosto e outubro, meses que sucederam seu lançamento. Foram 1.650 unidades emplacadas com essa configuração. Uma das principais características da versão topo de linha do March sempre foi o desempenho dinâmico. A versão SL CVT traz sob o capô o mesmo motor 1.6 16V flex, produzido no Complexo Industrial da Nissan em Resende. Ele desenvolve 111 cv de potência a 5.600 rpm, tanto com gasolina quanto com etanol. O torque máximo, de 15,1 kgfm, aparece apenas a 4 mil rpm, mas 90% dele já está presente a 2.400 giros. A transmissão é importada do México, tem relação continuamente variável e função Overdrive, que otimiza as rotações do motor para economia de combustível.

A versão mais cara traz ar-condicionado automático e digital e o console central é dominado por uma tela touch de 6,2 polegadas, chamada pela Nissan de central multimídia Multiapp. A central tem GPS, áudio com Bluetooth Streaming, monitora a câmara de ré e traz 13 aplicativos pré-instalados, possibilitando a utilizando dos mesmo a partir de conexão com internet roteada do smartphone. Ainda integram essa lista computador de bordo, desembaçador traseiro com temporizador, direção elétrica progressiva, volante multifuncional, chave com telecomando, retrovisores, travas e vidros elétricos, aerofólio com brake light e rodas de liga leve aro 16 com acabamento escurecido.

O Nissan March 1.6 SL CVT avaliado tem o preço de R$ 60.440 – por conta da pintura metálica. Sem ela, seu preço base é de R$ 59.290. Apesar de alto para um hatch compacto, esse preço é mais em conta do que seus concorrentes. O Hyundai HB20 Premium possui o mesmo nível de equipamentos, motor 1.6 e câmbio automático. No entanto, custa R$ 63.755, quase R$ 4 mil a mais. Líder do segmento de compactos, o Onix LTZ utiliza motor 1.4 e câmbio automático de seis marchas e tem preço de R$ 61.340. Mais caro da lista, o recém lançado Toyota Etios Platinum usa motor 1.5 de 107 cv, seu câmbio automático tem quatro marchas e custa R$ 64.700.

Ponto a ponto

Desempenho – O March 1.6 ficou menos divertido por conta do câmbio CVT, mas continua interessante. O modelo mostra força já na arrancada e mesmo com o funcionamento comedido do câmbio, ganha velocidade com bastante solidez. Isso acontece também por conta do peso, de apenas 999 kg. Com isso, seus 111 cv resultam em muita agilidade, tanto na cidade quanto em estradas. O zero a 100 km/h em 10,6 segundos é bom, se tratando de um carro compacto com câmbio de transmissão continuamente variável. Nota 8. Estabilidade – O March continua sendo um carro com estabilidade acima da média. As rolagens de carroceria são praticamente imperceptíveis e seu comportamento em curvas impressiona pela precisão. A direção elétrica mostra boa firmeza mesmo quando o carro está acima dos 100 km/h. Nota 8. Interatividade – Não houveram mudanças no interior do March 1.6 CVT. Os comandos continuam intuitivos e de fácil acesso, com exceções do controle dos retrovisores elétricos, que fica escondido atrás do volante. Os comandos do ar-condicionado digital são confusos, mas nada que um pouco de prática não resolva. O volante multifuncional abriga diversos comandos, há bastante informação no computador e nos instrumentos e a retrovisão é bem eficiente. Nota 8.

Consumo – O March 1.6 SL CVT recebeu nota “A” na categoria de hatches compactos e “B” na geral dentro do Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro, com médias de 11,7/7,8 km/l em trajeto urbano e 14,5/9,8 km/l na estrada, com gasolina/etanol no tanque. Seu índice de consumo energético foi de 1,72 MJ/km. Nota 8. Conforto – O espaço para os ocupantes da frente é bom, mas sem excessos. Na traseira, até duas pessoas viajam com conforto, mas é preciso maneirar no ajuste dos bancos dianteiros para garantir que ocupantes mais altos se acomodem no assento traseiro. As irregularidades do asfalto são absorvidas com eficiência. Nota 7. Tecnologia – A plataforma “V” é a segunda geração da “B-zero” da Nissan, com carroceria reforçada, novos materiais no assoalho, painéis laterais e frontais e mais pontos de solda. Não há controles dinâmicos e nem airbags extras. Outro destaque do hatch brasileiro é sua extensa lista de equipamentos de série na versão SL. Ele vem com ar-condicionado digital automático, sistema multimídia Multi-App com 13 aplicativos instalados, câmara de ré integrados e acesso às redes sociais na tela sensível ao toque de 6.2 polegadas. Nota 8.

Habitabilidade – O March tem bom ângulo de abertura das portas, o que facilita o procedimento de entrar e sair do carro. No interior, existem bons vãos para guardar objetos de uso pessoal. O porta-malas é um pouco menor do que o da concorrência e leva sofríveis 265 litros. Nota 7. Acabamento – O plástico domina a cabine e não esconde que se trata de um carro “popular”. Não há uma atmosfera de requinte na cabine. A falta de capricho nesse ponto incomoda, levando em consideração que se trata de um carro na casa dos R$ 60 mil. Nota 6. Design – O March tem linhas robustas, mas falta uma personalidade mais atraente ao design. O carrinho é muito redondo e sem fluidez nas linhas, com soluções para faróis e lanternas pouco criativas. A próxima geração, já apresentada na Europa e com linhas inspiradas no Kicks deve mudar esse panorama. Nota 5.
Custo/benefício – O Nissan March 1.6 SL CVT custa altos R$ 59.290. Somando a pintura metálica, a conta chega aos R$ 60.440. Ainda assim é o mais barato do mercado com esse nível de equipamentos. Vem com tudo e ainda tem ar automático, multimídia com plataforma Android, GPS, tela de 6,2 polegadas e câmara de ré. O Chevrolet Onix LTZ AT tem motor 1.4, câmbio automático de seis marchas e custa R$ 61.340. Já o Hyundai HB20 Premium possui o mesmo nível de equipamentos e câmbio automático de seis marchas e custa R$ 63.755. O Toyota Etios Platinum é o mais recente da lista e mais caro. Com motor 1.5 de 107 cv e câmbio automático de quatro marchas, custa R$ 64.700. Nota 8. Total – O Nissan March 1.6 SL CVT somou 73 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões

Apetite civilizado

O ponto forte do March 1.6 sempre foi seu desempenho. Os 999 kg, aliados aos 111 cv de potência e os 15,1 kgfm de torque do propulsor 1.6 e os engates justos da caixa de marcha davam ao compacto um desempenho e diversão digno de versões esportivas. O câmbio CVT abre mão desse toque esportivo em prol de mais conforto para a condução, mas o modelo continua com força de sobra. O March entrega boas arrancadas e eficiência nas ultrapassagens, sempre com o tradicional método de funcionamento do câmbio CVT de aumentar o giro e ir diminuindo gradativamente.
O acerto da suspensão continua afiado. O rodar é justo, mas imperfeições são absorvidas e o conforto para os passageiros é bom. Em curvas, quase não se nota rolagem da carroceria, o que ajuda e muito na dinâmica do carro. O espaço interno é ligeiramente apertado, mas quatro adultos de estatura mediana viajam com tranquilidade. O isolamento acústico poderia ser um pouco melhor para diminuir o ruído emitido pelo motor ao pressionar o pedal do acelerador até o final. A direção elétrica é precisa e oferece a resistência correta para a situação – leve em baixas velocidades e firme nas altas.
Manobrar o March é uma tarefa fácil por conta dos enxutos 3,83 metros de comprimento, mas fica ainda mais fácil na versão topo de linha SL. Além da boa visão de entorno, o modelo ainda é equipado com câmara traseira integrada, com imagem projetada na tela de 6,2 polegadas instalada no console central. O sistema multimídia, batizado de Nissan Multi-app, tem um funcionamento fácil e bastante intuitivo. Ele conta com plataforma Android e 13 aplicativo pré-instalados, GPS, conecta o telefone ao som através do Bluetooth e ainda interage com redes sociais e sites de busca, sempre utilizando a internet roteada do smartphone. Em resumo, o Nissan March 1.6 SL CVT entrega tudo que é possível ter em um hatch compacto e, apesar de cobrar caro por isso, entre os modelos similarmente equipados e motorizados.

Ficha técnica

Nissan March 1.6 SL CVT

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Transmissão continuamente variável (CVT) com uma marcha a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Potência: 111 cv com gasolina/etanol a 5.600 rpm.
Torque: 15,1 kgfm com gasolina/etanol a 4 mil rpm.
Diâmetro e curso: 78 mm X 83,6 mm.
Taxa de compressão: 10,7:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.
Pneus: 185/60 R16.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD e assistência de frenagem.
Carroceria: Hatch compacto em monobloco com cinco portas e cinco lugares. Com 3,83 metros de comprimento, 1,67 m de largura, 1,53 m de altura e 2,45 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série. 
Peso: 999kg.
Capacidade do porta-malas: 265 litros.
Tanque de combustível: 41 litros.
Produção: Resende, Brasil.
Lançamento mundial: 2010, com face-lift em 2014.
Lançamento no Brasil: 2014.
Itens de série: banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, desembaçador traseiro com temporizador, direção elétrica progressiva, porta-malas com iluminação, tampa de combustível com abertura interna, volante multifuncional com regulagem de altura, chave com telecomando para abertura e fechamento das portas e do porta-malas, maçanetas internas cromadas, retrovisores elétricos, travas elétricas e vidros dianteiros e traseiros elétricos com função um toque para o motorista, aerofólio com brake light e lâmpada de leds, maçanetas externas na cor da carroceria, moldura da grade inferior cromada, farol de neblina com acabamento cromado, ar-condicionado digital automático, alarme perimétrico com acionamento na chave, sistema multimídia com CD Player, MP3, entrada para iPod e auxiliar, USB, display de 6.2 polegadas GPS e acesso às redes sociais, câmera de ré, faróis dianteiros e traseiros com máscara negra, maçanetas externas cromadas, rodas de liga leve aro 16 com acabamento escurecido.
Preço: R$ 59.290.
Opcionais: Pintura metálica.

Autor: Fabio Perrotta Junior (Auto Press)
Fotos: Isabel Almeida/CZN

Parada dura - Nissan March 1.6 SL CVT une bom desempenho, conforto do câmbio automático e bom nível de equipamentos, mas enfrenta severa concorrência

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 30 Nov 2016 11:27:00

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