21 de jul. de 2016

Primeiras impressões do Nissan Kicks

Primeiras impressões do Nissan Kicks

A Nissan aproveitou a visibilidade das Olimpídas do Rio para promover no Brasil o lançamento mundial do seu primeiro crossover compacto, o Kicks. O carrinho, mostrado e prometido desde o Salão de São Paulo de 2014, vem do México e será mostrado para jornalistas do mundo inteiro, já que é destinado a mais de 80 mercados. Por aqui, virá inicialmente apenas na versão de topo SL. Somente quando for produzido em Resende, no Sul Fluminense – o que acontecerá até março de 2017 –, a básica S e a intermediária SV passarão a ser vendidas. Enquanto isso, a de topo chega com preço à altura dos rivais com conteúdo semelhante: R$ 89.990. Veja também:
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Uma vantagem para o Kicks é o fato de estar servindo de escolta na peregrinação da tocha olímpica no país. Por isso, embora tenha um visual peculiar, já desfruta de uma certa familiaridade pela enorme quantidade de “mídia espontânea” que vem recebendo. O crossover combina elementos que acentuam a imagem de resistência e modernidade. A grossa barra em “V” estilizado que circunda a grade dianteira, o para-choque frontal “bochechudo” e os vincos acentuados que percorrem toda a carroceria exaltam a ideia de robustez. Já os faróis em ângulo, as rodas aro 17 e o teto flutuante, que se “desgarra” visualmente da carroceira por causa das colunas em preto, dão um toque de ousadia.

O propulsor é o 1.6 16V flex, com comando variável na admissão e escape, semelhante ao que equipa March e Versa nacionais – com quem o crossover também compartilha a plataforma. No caso do Kicks, no entanto, ele recebeu uma nova calibração que elevou a potência a 114 cv, com etanol ou gasolina, e o torque a 15,5 kgfm – contra 111 cv e 15,1 kgfm dos dois compactos. A transmissão é sempre continuamente variável, mas também recebeu modificações em relação ao CVT que March e Versa recebem. Nessa evolução, o câmbio é capaz de simular marchas – seis ao todo – sempre que o acelerador é pressionado acima de 50% do curso total. Este propulsor deve ser mantido até mesmo numa futura e previsível versão Unique. O pacote de equipamentos da SL deixa lacunas, como a do controle de cruzeiro, que claramente serão preenchidas mais tarde.

Mas até pelo preço, o Kicks chega bastante completo, com direção elétrica, central multimídia com GPS, seis airbags, revestimento de banco, puxadores e volante em couro, painel parcialmente em TFT e chave presencial, entre outros. O pacote de controle dinâmico é também de bom nível – como, aliás, tem sido a tônica do segmento. O crossover da Nissan traz os quase obrigatórios controles eletrônicos de estabilidade, tração e partida em rampa e mais alguns sistemas menos comuns no segmento, como controle em curvas, detector de objetos em movimento e controle dinâmico de chassi – que atua para equalizar o movimento das suspensões dianteira e traseira. Além da câmara de ré comum, no monitor central é exibida também uma imagem 360º, formada por quatro câmaras – dianteira, traseira e uma sob cada retrovisor externo – que simulam a visão aérea.

Para não ter de recorrer a um propulsor mais forte, a Nissan tratou de investir bastante no alívio de peso do Kicks. No final, o crossover tem 1.142 kg em ordem de marcha. Isso é apenas 41 kg a mais que o sedã Versa Unique, mas representa 298 kg a menos que o Jeep Renegade Latidute 1.8 e 134 kg a menos que o Honda HR-V EXL, os dois líderes do segmento de crossover/SUV compacto. Os três acabam com um relação peso/potência bem próxima de 10 kg/cv.

O fato de chegar por último no segmento possibilitou à Nissan abordar o mercado de forma mais “cirúrgica”. A decisão de iniciar as vendas no dia 5 de agosto apenas na versão completa foi tomada porque 60% das unidades comercializadas pelos rivais têm esta configuração. Segundo a marca, o segmento inteiro responde por quase 10% das vendas de automóveis no Brasil e ultrapassa 15 mil unidades mês. A fabricante não assume que o volume de vendas pretende obter com o Kicks, mas o discurso dos executivos deixa claro que não se espera menos que 2 mil unidades por mês. Bem ao contrário do espírito olímpico, a Nissan não vai se satisfazer em apenas competir. 

Primeiras impressões

Porto Feliz/SP – O visual do Kicks promete mais do que se espera de um compacto. Bom porte, linhas bem-marcadas, assinadas por um teto flutuante que empresta elegância e modernidade. Este recurso é típico de carros de design de segmentos premium, como o Range Rover Evoque, Mini e DS3. No interior, o painel traz um grande velocímetro analógico encravado em um cluster de TFT, onde se pode exibir digitalmente um tradicional conta-giros com efeito lanterna, diversas informações do computador de bordo ou até uma versão simplificada das orientações do navegador por GPS. O revestimento em couro pespontado, inclusive no tablier, também ajuda a valorizar o carro.

Por tudo isso, o crossover da Nissan merecia materiais melhores no revestimento interno. A qualidade dos plásticos, sempre rígidos, e da forração de teto denuncia que o modelo é, de fato, um compacto. Não chega a virar abóbora, mas parece um disperdício. Algumas ausências também são bem sentidas. Caso do controle de cruzeiro, do sensor de chuva e de um apoio de braços central para o banco da frente – que poderia até minimizar a carência de porta-objetos no habitáculo. No mais, a ergonomia de banco e posição diante do volante agrada bastante. E a altura de 1,59 metro ajuda na entrada e saída.
Para acionar o motor, basta pressionar o botão no console central. O motor 1.6 de 114 cv não ruge forte, mas é ajudado pelo CVT especialmente ágil, que dribla aquela sensação típica de arrancada de scooter. O zero a 100 km/h em 12 segundos deixa evidente que a preocupação da marca não é fazer a adrenalina brotar atrás do volante. Mesmo assim, o crossover exibe muita neutralidade nas retas e em curvas, com uma direção bem direta em velocidades mais altas e extremamente leve em manobras. Se usado civilizadamente, as diversas salva-guardas eletrônicas nem dão as caras.
Um outro detalhe surpreendeu favoravelmente no teste de pouco mais de 200 km. O trajeto incluía trânsito urbano e rodoviário e o Kicks obteve a expressiva média de consumo de 14,9 km/h – em ritmo normal, dentro dos limites legais de velocidade mas sem qualquer obsessão por fazer economia. Esse número é melhor até que o obtido pelo InMetro, que deu nota A no segmento, com média urbana de 11 km/l e rodoviária de 14 km/l. Todo este bom comportamento do Kicks dá a ele a dupla função de agradar quem quer a imponência de um SUV com a racionalidade de um compacto.

Ficha técnica

Nissan Kicks 1.6 SL

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando com variação contínua de abertura das válvulas. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto semi-sequencial indireta.
Transmissão: Continuamente variável, do tipo CVT. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 114 cv a 5.600 rpm com etanol e gasolina.
Aceleração 0-100 km/h: 12 segundos.
Velocidade máxima: 175 km/h.
Torque máximo: 15,5 kgfm a 4 mil rpm com etanol e gasolina.
Diâmetro e curso: 78 mm X 83,6 mm.
Taxa de compressão: 10,7:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 205/55 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. Oferece ABS com EBD e assitência de partida em rampa.
Carroceria: Crossover em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,30 metros de comprimento, 1,76 m de largura, 1,59 m de altura e 2,61 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Peso: 1.142 kg.
Capacidade do porta-malas: 432 litros.
Tanque de combustível: 41 litros.
Produção: Aguascalientes, México.
Lançamento mundial: 2016.
Lançamento no Brasil: 2016.
Itens de série: Abertura da tampa de combustível por acionamento interno, acabamento dos bancos em couro, sensor crepuscular, ar-condicionado automático digital, banco do motorista com ajustes de altura, banco traseiro bipartido 60/40, chave inteligente presencial, comando elétrico de abertura do porta-malas, controle de áudio e funções do painel no volante, trio e direção elétricos, painel multifuncional colorido de 7 polegadas com mais de 12 funções, revestimento do painel e do apoio de braços nas portas em couro, volante com acabamento em couro, de três raios e com regulagem de altura e profundidade, aerofólio integrado na cor do veículo, faróis dianteiros com assinatura em leds, rack de teto longitudinal prata, rodas de liga leve de 17 polegadas, airbags frontais, laterais e de cortina, alarme perimétrico, câmera 360° com imagem integrada ao display do rádio, controle dinâmico de chassi, em curvas e de freio motor, detector de objetos em movimento, estabilizador ativo de carroceria, faróis de neblina, fixadores traseiros para cadeiras de crianças (ISOFIX), freios ABS com controle eletrônico de frenagem e assistência de frenagem, sensor de estacionamento, assistente de partida em rampa, controle eletrônico de estabilidade e tração, rádio CD Player com MP3 e tela touchscreen colorida de 7 polegadas com entrada auxiliar para MP3 Player/iPod, USB, Bluetooth e GPS. 
Preço: R$ 89.990.

Autor: Edurdo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias

Ousadia calculada - Nissan se inspira no clima olímpico para estrear no segmento de crossovers com o compacto Kicks

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 21 Jul 2016 10:35:00

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