21 de mai. de 2015

Teste do novo Audi TT

Teste do novo Audi TT

A Audi renasceu no Brasil. A marca vem ampliando as vendas de forma intensa nos últimos dois anos. Em 2013, foram 6.500 veículos. Ano passado, 12.500. E este ano, antes mesmo de iniciar a produção na nova fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná, já lidera o segmento de marcas premium, com mais de 5 mil vendas entre janeiro e abril, à frente de BMW e Mercedes-Benz, que emplacaram perto de 4.500 unidades. A chegada da terceira geração do TT Coupé, ainda no primeiro semestre, pouco vai alterar isso. Mas a conta é a seguinte: grande parte das vendas no Brasil ficam concentradas nos segmentos de entrada do mercado premium. E mesmo que o TT só emplaque entre 60 e 80 unidades mensais, elas vão representar um enorme ganho de imagem. Uma espécie de  endosso na divisa da marca Vorsprung durch Technik – algo como “Na vanguarda da tecnologia”.

Veja também:
  • Novo Audi TT começa a ser vendido por R$ 210 mil
Apesar do otimismo típico de slogans, o TT tem algumas características que confirmam a condição de vanguarda. A primeira delas é o que a Audi chama de Virtual Cockpit. Trata-se de uma tela digital, instalada no cluster diante do motorista, no lugar normalmente ocupado pelos instrumentos tradicionais. Ali, pode-se emular desde um painel clássico, com marcadores nos dois lados com uma pequena área central com dados do computador de bordo, até inserir o mapa do GPS ladeado por velocímetro e conta-giros com tamanho reduzido. Esse monitor elimina, inclusive, a tela no console central.  Mas como se trata de um esportivo, as qualidades dinâmicas merecem destaque. O propulsor é um 2.0 turbo da família EA888 e rende 230 cv de potência e 37,8 kgfm de torque, gerenciado por um câmbio automático sequencial de seis marchas e dupla embreagem O propulsor tem turbo, duplo sistema de injeção e variação contínua no tempo de abertura das válvulas, que empurra o TT até os 100 km/h em apenas 5,9 segundos. O cupê alemão utiliza a plataforma MQB do Grupo Volkswagen, mesma da linha A3, e por isso agora tem a estrutura feita em aço. Por isso, o alumínio, tradicional material de contrução do TT, ficou do lado de fora. O metal agora molda toda a carroceria, com exceção do aerofólio traseiro, que é em aço para aguentar a pressão de trabalho sem deformar.

Apesar de ter sido pensado a partir de uma base de tecnologia, o TT não tem preços exorbitantes. A versão de entrada, Attraction, sai a R$ 209.990 e tem os equipamentos frugais para um modelo premium. Estão lá ar-condicionado, sensores de luz e chuva, start/stop, seis airbags, sistema de som, faróis bixenônio e volante multifuncional com paddle shifts, entre outros. O navegador é vendido à parte. Este equipamento é de série na top Ambition, que começa em R$ 229.990. Ela ainda traz ar-condicionado digital integrado às saídas de ar, faróis full led, rodas aro 19 no lugar das de 18 e o Audi Drive Selective – que altera o comportamento de câmbio, direção e motor. Esta terceira geração do TT também ganhou refinamento estético. As linhas fazem referência aos demais esportivos da marca, como o superesportivo R8, principalmente nos vincos do capô e na assinatura em led dos faróis. O caimento da coluna traseira, bastante  inclinada, é clássico para cupês e forma um perfil de gota invertida. O interior também ganhou um aspecto mais limpo com a saída do monitor central e a redução do número de botões e comandos.

O Audi TT é o único remanescente entre os esportivos compactos das marcas premium alemãs a resistir ao sistema de teto rígido retrátil, os chamados cupês-cabriolets – como Mercedes SLK e BMW Z4. A versão conversível do modelo da Audi, chamada de roadster, deve ser lançada no segundo semestre desse ano – sempre com o objetivo de recuperar o prestígio que a Audi tinha nos anos 1990 e 2000, quando chegou a ter uma linha de produção e um bom volume de vendas. Se tudo correr como espera a empresa, em cinco anos, a Audi vai estar emplacando 30 mil unidades por ano. Ou o dobro do que deve conseguir em 2015.

Ponto a ponto

Desempenho – Os 230 cv de potência e os 37,8 kfgm de torque produzidos pelo motor EA888 lidam com extrema facilidade com os pouco mais de 1.300 kg do TT. Além disso, conta com uma dupla injeção – direta em baixas rotações e indireta em altas – e um comando continuamente variável, que eliminam as possibilidades de sombras na aceleração. E o melhor: o câmbio de dupla embreagem é extremamente rápido para “entender” as intenções de quem espreme o acelerador. O zero a 100 km/h é cumprido em 5,9 segundos e a máxima fica nos 250 km/h apenas pelo controle na injeção. Nota 10. Estabilidade – A estrutura em aço de resistência e a carroceira em alumínio fazem uma boa combinação no TT. Como um típico esportivo, o centro de gravidade baixo e a boa aerodinâmica deixam o cupê da Audi completamente neutro em retas e curvas de raio longo. Aos 120 km/h, o aerofólio se apresenta, para assentar ainda mais a traseira do modelo na pista. Nota 9.

Interatividade – Um dos recursos mais atraentes e interessantes do novo TT é o chamado Virtual Cockpit, que substitui o painel tradicional por um tela digital, que pode ser formatada de várias formas. Além de eliminar o monitor no console central, é também através desse painel que se faz as configurações dinâmicas do modelo e se controla o som. Apesar da ótima impressão que o Virtual Cockpit causa, o TT carece de alguns recursos já bastante difundidos e quase banais hoje em dia, como uma câmara de ré. Talvez chegue mais tarde, em algum novo pacote de equipamentos. Nota 9. Consumo – O Audi TT ainda não foi avaliado pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro. Os números oficiais da marca na Europa são de consumo médio em ciclo misto de 15,6 km/l, valores que não puderam ser confrontados durante o test-drive, realizado em auto-estrada com o objetivo de explorar a potência do modelo. Nota 7.

Conforto – A suspensão do Audi TT é dura para privilegiar a estabilidade. Até os bancos, extremamente firmes, são mais pensados para segurar o corpo que para aliviar as irregularidades do piso. Na verdade, o TT é feito para andar em tapetes, pavimentos perfeitos como os encontrados nos países ricos. A vocação do TT traz ainda outros efeitos colaterais. O interior só oferece espaço para motorista e carona da frente – mesmo assim, sem muita margem de movimentação. Atrás, os ocupantes ficam apertados, mesmo se forem criança. Nota 6. Tecnologia – O Audi TT compartilha a plataforma MQB com A3, que oferece grande rigidez torcional e baixo peso – tanto que tem 50 kg a mesmo que o antecessor. A carroceria em alumínio também ajuda na leveza do modelo. O motor EA888 2.0 TFSI é da mesma família do 1.8 usado no mesmo A3 e é bem moderno. Entre os recursos mais explícitos, o que mais chama a atenção e imprime a ideia de tecnologia é o Virtual Cockpit. A não ser pela ausência de câmara de ré, o TT tem o que se espera num esportivo que custa mais de R$ 200 mil. Nota 9.
Habitabilidade – A solução de concentrar no cluster em frente ao motorista e no volante multifuncional limpou o interior do TT – sobraram uns poucos botões no console central. Uma boa evolução foi a adoção de entrada USB, para conexão de celulares ou outros aparelhos. O interior é exíguo em porta-objetos e a altura do modelo força uma certa contorção para acessar o habitáculo. Nota 8. Acabamento – A cabine do TT tem bastante requinte, com combinação de materiais de bom gosto. Bancos combinando couro e alcântara, apliques em alumínio, superfícies macias e design limpo e atraente. Os revestimentos em preto também valorizam o interior. Nota 9.
Design – O TT nasceu como uma obra de design, quando adotou a escola Bauhaus em 1998, na primeira geração, foi para um estilo quase genérico na segunda geração, de 2006, e agora volta um pouco às raízes, com referências visuais à primeira geração, com na lanterna que contorna a traseira e no perfil da frente em curva acentuada. A enorme grade hexagonal e os faróis bastante afilados, com uma assinatura em led com linhas horizontais e verticais, deixam o visual do TT bastante agressivo. Mas nada tão eloquente que faça o TT se afastar das linhas clássicas de um cupê esportivo. Nota 8. Custo/benefício – A Audi posicionou seu cupê próximo a esportivos como Chevrolet Camaro, que é maior e mais potente, ou o Mercedes-Benz SLK 250 e a BMW Z4 sDrive 2.0, dois cupês-conversíveis. Ou seja: o TT não tem um concorrente direto no Brasil, mas junto com o Peugeot RCZ, que é 30% mais barato, remete visualmente a modelos superesportivos. Pode ser um bom motivo de compra, mas não faz dele uma pechincha. Nota 6. Total – O Audi TT Coupé somou 81 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões

Por fora, o Audi TT impressiona da mesma forma que seu antecessor. Tem o perfil pontiagudo, a frente agressiva e a traseira discreta de um cupê esportivo clássico. Por dentro, porém, a história muda. Todas as informações pertinentes ficam de cara para o motorista, sem que ele precise desviar muito o olhar. O chamado Virtual Cockpit consegue maximizar o aproveitamento dos painéis em TFT, tecnologia já são aplicada em modelos de diversas marcas premium. Mas além dessa boa primeira impressão, o TT consegue cumprir todas as promessas feitas por um modelo esportivo. A excelente relação de 5,8 kg para cada um dos 230 cv do motor dá enorme exuberância dinâmica ao modelo. As acelerações e retomadas são feitas sem qualquer esforço aparente e em tempo exíguo. O resultado é um carro sempre ágil. Dócil quando tratado suavemente e arisco, capaz de provocar “coices”, quando provocado de forma abrupta. Tudo que pode se esperar de um bom esportivo.
A carroceria e a suspensão acompanham toda esta agressividade com um comportamento bastante neutro. Para isso, conta com o baixo peso da estrutura e com um acerto bastante rígido de suspensão, a ponto de comprometer o conforto em pisos irregulares. O conjunto suspensivo – McPherson na frente e multilink atrás – impede inclinações indesejáveis e mergulhos acentuados nas frenagens mais bruscas. Não é fácil levar o TT ao ponto de fazer o controle de estabilidade se apresentar. Do lado de dentro, embora os materias não sejam extremamente luxuosos, o resultado final é bastante elegante. O TT traz acabamento e encaixes que transmitem as ideias de qualidade e resistência. Com a eliminação do monitor central, o console pôde ser simplificado. Isso afasta o conceito exaustivamente explorado pelo marketing dos esportivos, de encher o interior de botões para remeter ao comando de um avião de caça. Aqui, a vida o “piloto” ficou bem facilitada – se bem que as saídas de ar ainda remetam a turbinas de avião. O TT ainda apresenta algumas qualidades inesperadas. Por ser um cupê, que abre a tampa traseira juntamente com o vidro, se torna bastante versátil. Tem um bom porta-malas para a categoria, com 305 litros, que pode ser ampliado com o rebatimento do encosto do banco traseiro. A bem da verdade, talvez esse seja mesmo o melhor uso da segunda fileira de assentos. O espaço ali é tão pequeno que mesmo crianças ficariam espremidas ali.

Ficha técnica

Audi TT TFSI 2.0

Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.984 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbocompressor, duplo comando de válvulas e variação contínua de abertura e fechamento das válvulas. Injeção direta e indireta de combustível.
Transmissão: Câmbio automatizado com dupla embreagem, seis marchas à frente e uma a ré e opção de mudanças sequenciais através de borboletas atrás do volante. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 231 cv entre 4.500 e 6.200 rpm.
Torque máximo: 37,8 kgfm entre 1.600 rpm e 4.300 rpm.
Diâmetro e curso: 82,5 mm X 92,8 mm.
Taxa de compressão: 9,6:1.
Aceleração 0-100 km/h: 5,9 segundos.
Velocidade Máxima: 250 km/h (limitada na injeção eletrônica)
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente do tipo four-link em alumínio, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros sólidos. Oferece ABS, EBD e assistente de emergência.
Carroceria: Cupê em monobloco em aço e com carroceria externa em alumínio, duas portas e quatro lugares – 2+2. Comprimento de 4,18 metros, largura de 1,83 m, altura de 1,35 m e entre-eixos de 2,50 m. Oferece airbags frontais, laterais e de cabeça.
Peso: 1.335 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 305 litros.
Tanque de combustível: 55 litros.
Produção: Carroceria em Ingolstadt, Alemanha. Montagem: Györ, Hungria.
Lançamento da 1ª geração: 1998.
Lançamento da atual geração: 2014.
Lançamento no Brasil: 2015.
Versão Attraction: Alarme, assistente de freio de estacionamento, ar-condicionado, assistente para luz alta, Audi Virtual Cockpit, Audi Sound System, bancos com couro e alcântara, faróis bi-xênonio, bancos dianteiros esportivois com apoio lombar e ajustes elétricos, sensor de estacionamento traseiro, controle de cruzeiro, travamento central com controle remoto a distância, espelho interno antiofuscante, pedais em alumínio, sensor de luz e chuva, start-stop, volante multifuncional em couro, shift-paddles e rodas de alumínio aro 18 com pneus 245/40 R18.
Preço (Attraction): R$ 209 mil.
Versão Ambition: Acrescenta ar-condicionado automático integrado nas saídas de ar, Audi Drive Select , faróis Full Led, Radio MMI plus com sistema de navegação e rodas de alumínio aro 19 com pneus 245/35 R19.
Preço (Ambition): R$ 229 mil.
Autor: Eduardo Rocha (Auto Press)
Fotos: Eduardo Rocha/Carta Z Notícias e divulgação (interior)

Ponto futuro - Audi aposta na imagem tecnológica do TT para ganhar prestígio no Brasil

Fonte: Salão do Carro
Categoria: Testes
Publicado em: 20 May 2015 14:00:00

Nenhum comentário:

Postar um comentário